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Participantes - EducaçÃo física escolar IX enfefe

Participantes



Observamos uma significativa diversidade de gerações e regiões presentes. Participaram pessoas de Juiz de Fora e Belo Horizonte (MG), Rio Claro (SP), Vitória e Curiacica (ES), Santa Maria (RS) e Goiás (GO); o que demonstra a extensão da propagação das idéias aqui desenvolvidas. Também vale destacar a presença de mães professoras e filhas estudantes; o que nos leva a acreditar na continuidade do evento pelas próximas gerações;

Esta participação diversificada enriqueceu as palestras com o levantamento de questões pertinentes ao tema e preocupadas com o cotidiano escolar, estendendo-se após as palestras pelos corredores e outros espaços;

Deve-se considerar, entretanto, a participação utilitarista, isto é, algumas inscrições feitas apenas com o intuito de apresentar trabalho ou cumprir carga horária da faculdade impedindo, algumas vezes, a inscrição e a participação de outros mais comprometidos com a proposta do evento.

Tema



O tema escolhido para o VIII EnFEFE – Cultura e Educação Física - nos pareceu de extrema pertinência e ousadia. A temática cultural, que vem sendo debatida por diversas áreas do conhecimento, oferece possibilidades bastante amplas de aprofundamento e discussão, pois que se coloca como um foco iluminador para a crise da razão, na medida em que faz emergir o debate acerca da estética e, consequentemente, da sensibilidade e do devir enquanto projeto social.

Temas Livres



Gostaríamos de ressaltar a importante decisão por parte da organização do evento, em aceitar a maior parte dos trabalhos, mesmo aqueles em que as discussões teórico-metodológicas não estejam de acordo com o rigor acadêmico, visto se tratarem, muitas vezes, de relatos de experiência de professores que têm como atividade principal o cotidiano escolar e seus desafios. Alertamos, todavia, para a progressão crescente de trabalhos a serem apresentados e a solução que os organizadores deverão encaminhar. Sugerimos que esta decisão seja exaustivamente discutida para que não se tome rumos elitistas na seleção dos trabalhos, o que, do nosso ponto de vista, descaracterizaria os objetivos originários do EnFEFE.

Na oitava edição do EnFEFE foram apresentados 109 trabalhos com temáticas variadas, sendo 5 destes relacionados diretamente ao termo Cultura e a Educação Física. Destacamos nestes a diversidade das abordagens, contemplando quase totalmente a abrangência de uma área multidisciplinar;

Ressaltamos a apresentação de trabalhos tratando conteúdos como a Dança, o Teatro, os Jogos Cooperativos, o Taekwondo, a Corrida de Aventura, o Tênis de Mesa, a Ginástica, fugindo da limitação dos esportes coletivos tradicionais. Entendemos esse fato como uma das marcas do processo de mudança da Educação Física Escolar e que se refletiu nesse Encontro. Mesmo com alguns trabalhos ainda imaturos ou pouco aprofundados, entendemos que este momento caracteriza-se pela passagem de uma época de lamentações para uma outra de construções e proposições.

Mesas e Palestras



Sem dúvida foram esses momentos que deram a tônica do Encontro. Os conteúdos, implicitamente ou explicitamente ligados ao tema central do Encontro, representaram a diversidade e a multiplicidade de olhares que já estão sendo realizados e dos muitos que ainda necessitam ser percebidos. Especialmente, a abertura, cujo o tema “Cultura e Educação Física Escolar: uma Relação Clara?”, do Prof. Dr. Victor Andrade de Melo, marcou o início de um grande avanço em relação aos Encontros anteriores e tornou-se referência para muitas das outras apresentações subsequentes.

Ao apresentar críticas à tendência pedagógica Crítico-Superadora o palestrante propôs um diálogo da Educação Física com os elementos dos estudos culturais e da estética numa tentativa de inverter os conhecimentos veiculados pela escola para o que ele denominou de “Pedagogia Radical dos Conteúdos”. Essa palestra ficou para nós e outros participantes como uma referência, pois nos trouxe, dentro das limitações do evento, alguns exemplos de como essa pedagogia fundada na estética e nos estudos culturais pode subverter uma ordem enraizada e consolidada por onde se inscreve a história da Educação Física brasileira.

As mesas subsequentes complementaram a “explosão” causada na conferência de abertura, reforçando a idéia de que a Educação Física Escolar pode avançar e não ficar presa nem limitada aos conteúdos e abordagens tradicionais.

Assim, a mesa intitulada “Incluindo através da Educação Física escolar: uma questão de gênero” com a profª. Ludmila Mourão e Bianca V. S. Souza enfocaram dois importantes temas: a questão de gênero e envelhecimento. Ressaltaram a importância de uma revisão das nossas relações sociais e humanas para superar as diversas formas de preconceito ainda presentes em nossa sociedade. Observamos que estas questões estão fortemente postas na Educação Física, já que as duas discussões passam pela questão da corporeidade, do corpo que não se limita ao estritamente biológico, muitas vezes alardeado dentro da área. É mais uma vez a realidade, o cotidiano reivindicando novas referências, novos parâmetros, novos elementos que nos instigam a repensar a relação sujeito/corporeidade, ou melhor, sujeito encarnado, como nos abrilhanta Najmanovich quando reflete a corporeidade como a dimensão real e concreta da subjetividade do ser humano

A mesa “Outras linguagens da Educação Física escolar I” com a professora Lúcia Regina B. M. Voss e o Prof. Sérgio Henrique Cardoso da Silva, trouxe, num primeiro momento, um importante relato de experiência de uma professora que desafia o preconceito da “falta de habilidade” buscando atividades que de inclusão e, num segundo momento, experiências com atividades circenses como possibilidades de trabalho em Educação Física. Igualmente às demais, esta mesa abrilhantou o evento com a discussão de novas possibilidades escolares, demonstrando a riqueza da cultura de movimento que a Educação Física abrange, mas que até bem pouco não nos tínhamos dado conta

Por fim, a mesa “Outras linguagens em Educação Física II” com o prof. Waldyr Lins de Castro e a profª. Maria Inês Galvão Souza trouxe a cena novas possibilidades em Educação Física a partir da linguagem teatral e da dança. Buscando romper com a visão estritamente esportivizante a discussão trazida pelos palestrantes reforçou o que foi a marca do Encontro, qual seja, as diversas tentativas de refletir propostas teórico-metodológicas em Educação Física escolar.

Em suma, essas mesas nos mostraram que, talvez, a revolução e a transformação social, ainda hoje reivindicada, possam se dar mais facilmente por meio de uma outra forma de ver o mundo e os seus problemas: a dimensão do sensível, da afetividade e da estética, ou melhor, do phatos.

Desafios e Possibilidades



Finalmente, avaliamos o Encontro como um momento em que os pressupostos teóricos que vêm sendo construídos pela Educação Física com mais consistência a partir da década de 80, evidenciam que já temos percurso suficiente para dialogar e apresentar críticas, contradições, e propostas que se alinham às diferentes linhas filosóficas e epistemológicas, produzindo um campo de saber com consistência e fundamentação bastante significativos. Estas diferentes perspectivas demonstram que a crise paradigmática que se instalou na ciência moderna no século XX também produz reflexos no campo da Educação Física, gerando, especialmente neste EnFEFE, um rico e produtivo diálogo acerca do que entendemos ser papel e função da Educação Física Escolar. Assim, a palestra do prof. Victor Melo, ao causar um forte impacto, nos fez repensar, rever, ressignificar velhos conceitos e conhecimentos. Nem por isso, nos sentimos ameaçados ou medrosos do que está por vir. A aparente “desorganização” proposta pelo professor veio seguida por uma “operação rescaldo”, realizada pelas mesas e temas livres apresentados posteriormente.

Essa correlação, entre a palestra do Prof. Victor e as demais, nos levou a resumir a avaliação da seguinte forma: estamos diante de muitos e complexos desafios, mas a produção atual em Educação Física Escolar, bem como as possibilidades que nos são apresentadas através da socialização desta produção, nos dão segurança e confiança para assumi-los.

Os membros da Comissão de Avaliação, a Profª Ms. Amparo Villa Cupolillo é doutoranda (UFF) e leciona na UFRRJ, e o Prof. Ms. Marcos Miranda Correia é da rede estadual (RJ). 2014-07-19 18:44
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